facebook-domain-verification=bq9ibo57eg8xlel54c8jg23e6jtq1x
 
FEVERES__testeira.jpg

16º Feverestival reflete sobre território, pertencimento e sangue latino-americano no Castro Mendes

“Mirar: quando os olhos se levantam”, do Coletivo Labirinto (São Paulo/SP), terá apresentação única nesta sexta-feira, 8. Ingressos podem ser adquiridos antecipadamente


Coletivo Labirinto apresenta espetáculo nesta sexta (8/7) no Teatro Municipal Castro Mendes, em Campinas. Foto: Mayra Azzi


O que encontramos quando nossa vista atravessa o horizonte? Quais são os tesouros escondidos nos potes de ouro além das fronteiras? O 16º Feverestival – Festival Internacional de Teatro de Campinas – segue até o dia 10 de julho e nesta sexta-feira, dia 8, às 20h, apresenta no Teatro Municipal Castro Mendes o espetáculo “Mirar: quando os olhos se levantam”, do Coletivo Labirinto (São Paulo/SP).


Os ingressos para a sessão única do grupo no Festival podem ser adquiridos previamente pela plataforma Sympla ou diretamente na bilheteria do teatro no dia da apresentação. Os valores de entrada variam entre R$ 10 (meia) e R$ 20 (inteira).


O espetáculo conta com recursos de Acessibilidade com Audiodescrição e tradução em Libras e versa justamente sobre o tema da 16ª edição do Festival: “Cultivar convívios”. Segundo Dandara Lequi, membro do Núcleo Feverestival, levar um espetáculo que aborda questões latino-americanas para o Teatro Municipal de Campinas tem uma grande relevância pela visibilidade que esta ação gera para o tema, pertinente e necessário na atualidade.


“É muito comum percebermos que ainda existe essa distância da população brasileira em se enxergar como parte da América Latina. Nesse sentido, um espetáculo que aborda o pertencimento deste território é necessário para a gente entender o que nos une em termos sociais, políticos e culturais.”


Mirar


“Mirar: quando os olhos se levantam” é um passeio por algumas histórias, personagens e ambiências da América Latina. Ele faz uso principalmente de dispositivos épicos – narrações episódicas, relação direta com o público, música ao vivo em cena – para contar algumas histórias elegidas durante o processo criativo.


A obra, que recebe direção e dramaturgia de Jé Oliveira, é inspirada no livro “Crônicas de Nuestra América”, de Augusto Boal. O livro, escrito na década de 1970, faz um compilado de crônicas escritas por ele quando esteve exilado do Brasil no contexto da ditadura militar brasileira.


No livro ele traz uma série de histórias que, de alguma maneira, fazem um panorama da América Latina. “A gente se inspirou neste dispositivo e resolveu propor uma obra que também possibilitasse uma caminhada pelo continente, levantando questões de ordem cultural, política, social e estética”, aponta Carol Vidotti, membro do Coletivo Labirinto e uma das artistas-criadoras da peça.


Composto por artistas que se conheceram no curso de Artes Cênicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), o Coletivo celebra a possibilidade de voltar à cidade para compartilhar seu trabalho em um lugar tão importante dentro da trajetória do grupo. “Este é um espetáculo pelo qual temos muito carinho, então será certamente muito prazeroso para nós estarmos no Feverestival”, afirma Carol.


Em ‘Mirar: quando os olhos se levantam’ a gente ensaia uma revolução que poderia se dar pela beleza, pelo faz de conta, pelo jogo, feitiço e mandinga da poesia. É como se a gente anunciasse um porvir que, de tão utópico, chega a doer, mas que talvez seja a única forma possível de um ‘bem viver’ por estas bandas.” [Coletivo Labirinto]


Pertencimento


Pertencer, ocupar, apropriar-se do espaço em que vive. Estas são algumas reflexões que o espetáculo Mirar traz ao palco do Castro Mendes nesta sexta-feira. A ideia de pertencimento que o espetáculo apresenta ao público instiga a pensar sobre como as questões sociais de diferentes países tão próximos acabam sendo as mesmas em qualquer canto da América do Sul.


“A marca colonizadora infelizmente não está no passado, é algo comum que carregamos em cada pessoa marginalizada, em cada situação de exclusão, em cada valor cultural europeu se sobrepondo à maneira andina-indígena-africana originária de organização social e filosofia de vida”, explica Carol Vidotti


Ela pontua que o espetáculo questiona a todo tempo se as nossas histórias atuais ainda não são as mesmas de antigamente, e se elas não são comuns também do ponto de vista geográfico. “A pergunta que fica é 'o que exatamente as fronteiras dos países latino-americanos efetivamente separam?', e em que medida esta separação nos ajuda e nos atrapalha.”


Reflexão em poesia


A apresentação, segundo os membros do Coletivo Labirinto, é marcadamente poética do ponto de vista da dramaturgia, com um texto carregado de imagens muito bonitas, além de algumas bastantes cortantes também. Para acompanhar cada episódio, a dramaturgia de Jé Oliveira aposta na beleza das palavras, “lapidando imagética e ritmicamente cada passagem, mesmo quando trata de assuntos delicados, densos e tensos”, conta Carol Vidotti.


“Como o espetáculo é episódico, ou seja, a gente conta algumas passagens que poeticamente localizamos em Bolívia, Equador, México, Brasil, também é uma intenção nossa que o público se sinta viajando por estes países, como e com a gente.”


Com assuntos tão recorrentes no cotidiano do povo brasileiro, a peça apresentada propõe ao público não apenas entretenimento, mas também uma série de reflexões e provocações profundas. “O público pode esperar a apresentação de um espetáculo autêntico, muito autoral e com um propósito muito bem fortalecido. É um convite para a gente despertar e mirar!”, finaliza Dandara Lequi, membro do Núcleo Feverestival.


Ficha técnica


MIRAR: QUANDO OS OLHOS SE LEVANTAM

COLETIVO LABIRINTO

São Paulo/SP | Espetáculo Adulto


Horário: 20h | Local: Teatro Municipal Castro Mendes

Duração: 70min | Classificação etária: 14 anos | Ingressos: R$ 20 (inteira) / R$ 10 (meia), pela plataforma Sympla


Sinopse: Quatro caminhantes percorrem lugares e histórias da América Latina em uma espécie de busca-viagem por pertencimento. O espetáculo lança mão de expedientes contemporâneos para revelar o lastro da colonização, celebrar a potência da diversidade dos povos, e refletir aspectos contraditórios do nosso continente para mirar além das fronteiras.


Direção, Dramaturgia e Textos: Jé Oliveira | Artistas criadores: Abel Xavier, Carol Vidotti, Emilene Gutierrez e Lua Bernardo (Musicista) | Assistência de direção: Éder Lopes | Interlocução artística: Georgette Fadel e Wallyson Mota | Direção musical: Maria Beraldo | Vídeos e Projeções: Laíza Dantas | Iluminação: Wagner Antônio | Figurino: Éder Lopes | Costureira: Nininha Lopes | Cenotécnico: José Da Hora | Texto-áudio: Abel Xavier e Jé Oliveira | Técnico de som: Tomé de Souza | Operação de luz: Ton Ribeiro | Operação de projeção: Marcela Katzin | Fotos: Mayra Azzi | Direção de produção: Carol Vidotti


Serviço


16º Feverestival

Quando: 3 a 10 de julho de 2022

Onde: Campinas/SP

Programação completa disponível em http://feverestival.com.br

Siga-nos em nossas redes sociais: @feverestival (Instagram) e /feverestival.campinas (Facebook)


O Núcleo Feverestival é composto por Bruna Schroeder, Cauê Moreira, Dandara Lequi, Dudu Ferraz, Francisco Barganian, Lucas Michelani e Vini Silveira.


A 16ª edição é uma realização do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa; produção da Território Produções Culturais e Núcleo Feverestival; correalização da Universidade Estadual de Campinas, Cocen (Coordenadoria de Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa), Lume Teatro (Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais da Unicamp) e Secretaria de Cultura e Turismo da Prefeitura de Campinas.