Buscar
  • FEVERESTIVAL Campinas

15º FEVERESTIVAL DEMOCRATIZA ACESSO AO TEATRO COM ESPETÁCULOS DE RUA EM CAMPINAS

Encontro promovido em espaços abertos e públicos traz a possibilidade de novas experiências aos artistas e à população

Cacompanhia de Artes Cênicas, de Manaus/AM, apresenta O Palhaço de la Mancha nas ruas de Campinas

(Foto: Larissa Martins)


por: Miguel Von Zuben


Você já viu, alguma vez, um espetáculo de rua? Já reparou na multiplicidade de seres que compõem a plateia deste tipo de apresentação? Adultos e crianças, de diferentes classes sociais e culturas se colocam na posição de espectadores em torno de atores e atrizes que se apresentam em espaços abertos e públicos para democratizar o acesso à arte em forma de teatro.

Nesta 15ª edição, o Feverestival – Festival Internacional de Teatro de Campinas – traz o encontro, promovido pela vivência da rua, como um de seus Futuros Desejáveis, e amplia o acesso com a inclusão de LIBRAS e audiodescrição em algumas destas apresentações.

Verônica Fabrini, professora do curso de artes cênicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), em entrevista à nossa equipe de comunicação, reforça que o teatro de rua é, acima de tudo, essencial para a formação de um festival cênico.

“É impossível pensar em um festival que não tenha a rua. Ela democratiza um espaço de trocas, de trânsitos... a cidade precisa saber trocar com o evento”, diz Verônica. “Dessa forma o teatro chama a cidade para o diálogo, para essa cultura. Ele tira a cidade para dançar, e esse primeiro movimento é muito generoso, corajoso, considerando o espaço público como urgente em nossos tempos atuais”.

A professora explica que o fazer cênico na rua pode ser múltiplo, com um espaço que traz uma amplitude de ideias. Em campo expandido, diz ela, as linguagens se aumentam. “A falta que a gente vê de espaços fixos de teatro em Campinas engrandece a importância da rua, um espaço público de expressão que não é somente funcional, como também poético, imaginário e político. Sem o teatro de rua, a cidade fica sem alma”, completa Verônica.


Teatro para todos

Matheus Janeiro, produtor de espaço da Catedral Metropolitana de Campinas neste 15º Feverestival, ressalta a beleza vista no acesso à arte, promovido pelo Festival. “Tem pessoas que acompanham os espetáculos de rua porque se programaram para isso, mas tem gente que saiu do seu trabalho, ou estava fazendo algo pelo Centro, passa pela praça e vê que existe ali um espetáculo. São pessoas que não acordaram e pensaram: ‘Hoje vou assistir uma peça de teatro’, mas que se surpreenderam”.

“Estamos em uma época em que se vai pouco ao teatro e às vezes descobrir uma peça, em que de repente você está assistindo e tem uma experiência, pode trazer uma transformação, uma surpresa”, diz o produtor de espaço.

Para a Cacompanhia de Artes Cênicas, selecionada de Manaus/AM para compor o leque de espetáculos do 15º Feverestival com o espetáculo de rua O Palhaço de la Mancha, a democratização do teatro é uma pauta ainda pouco discutida em alguns lugares.

“Quando a gente leva o teatro para a rua, a gente não delimita um público, um espaço cênico, nem uma classificação indicativa, então é você pensar que pessoas completamente diferentes vão assistir”, afirma Francine Marie, atriz da Cacompanhia. “As pessoas vão ao teatro, quando podem. A partir dos encontros na rua, vemos diversos reflexos de aspectos culturais daquela região. Isso engrandece o nosso trabalho”.


Espaço de encontro

Jean Palladino, também ator da Cacompanhia, vê a rua como espaço de reafirmação para os artistas. “Chegar em lugares como Campinas, para a gente, é um passo fundamental”, ressalta. Tanto para ele, quanto para Francine, ser artista de rua é ser “artista do encontro”.

Bruna Reis, uma das realizadoras da performance SustentAção, do Núcleo Fuga! (Campinas/SP), lembra também que a rua é espaço de moradia para algumas pessoas e traz a importância de se pensar de que forma a arte lida com a multiplicidade da população. “Como pedimos licença a estas pessoas?”, questiona.

Núcleo Fuga!, de Campinas/SP, realiza performance no Centro da cidade no dia 10, segunda-feira (Foto: Matias Valladão)


Para ela, performar em uma cidade como Campinas, tão violenta com as mulheres, a população LGBTQIA+ e o povo negro, tem grande importância, ainda mais em uma apresentação que chama o público feminino para se relacionar de forma direta com suas realizadoras. “A gente convida as mulheres para o diálogo, em que tentamos explorar o quanto somos capazes de sustentarmos umas às outras”, conta.

“Em nossa primeira intervenção, a única pessoa que se dispôs a participar foi, na realidade, um homem morador de rua. Um grupo que paramos para observar ficou extremamente incomodado com nossa presença. Temos que estar, desta forma, sempre preparados para os imprevistos. Nunca sabemos o que vamos encontrar”, finaliza.


Teatro na rua todos os dias

O espetáculo O Palhaço de la Mancha tem duas apresentações durante o Festival: a primeira acontece no dia 9, domingo, às 16h na Casa de Cultura Tainã. A segunda apresentação será no dia 11, terça-feira, no mesmo horário em frente à Catedral Metropolitana de Campinas.

O Núcleo Fuga! sai às ruas de Campinas com a performance SustentAção no dia 10, segunda-feira, a partir das 16h, tendo a Praça Bento Quirino como ponto de partida e o Largo do Rosário como palco da finalização.

A peça Resquício, da La Luna Cia. de Teatro (Canelinha/SC), finaliza o ciclo de espetáculos de rua do Festival nos dias 13 e 14, quinta e sexta-feira, às 16h também em frente à Catedral Metropolitana. Na primeira apresentação. Para assistir a qualquer um destes espetáculos, não precisa pagar nada. É só chegar.


Serviço

15º Feverestival

Quando: 8 a 14 de fevereiro de 2020

Onde: Campinas/SP

Programação completa disponível em http://www.feverestival.com.br

Visite a gente nas redes sociais! Estamos no Instagram e também no Facebook


O Núcleo Feverestival é composto por Bruna Schroeder, Dandara Lequi, Dudu Ferraz, Lucas Michelani, Victor Ferrari e Vini Silveira. A curadoria dos espetáculos foi realizada por Bell Machado, Carlos Gomes, Cynthia Margareth, Dandara Lequi, Helena Agalenéa e Isis Madi.

A 15ª edição é uma realização do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, pela Sorella Produções Artísticas e pelo Feverestival; correalização da Universidade Estadual de Campinas, Lume Teatro (Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais da Unicamp) e Cocen (Coordenadoria de Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa). Contamos com apoio do SAE (Serviço de Apoio ao Estudante), Sesc, Sesi, Prefeitura Municipal de Campinas, ProEC, Secretaria de Cultura de México, através do Fonca (Fondo Nacional para la Cultura y las Artes), e SRE Consulado Geral do México.

0 visualização
CONTATO
///
  • Instagram - White Circle
  • Facebook - Círculo Branco